Junquilho, Aline Costa DantasPitta, Ana Maria Fernandes (Orient.)Cunha Júnior, Dirley da (Membro da Banca)Silva, Julie Sarah Lourau Alves da (Membro da Banca)Barros, Sônia (Membro da Banca)Duarte, Marco José de Oliveira (Membro da Banca)2026-02-202026-02-202025-12-19https://ri.ucsal.br/handle/123456789/5843Esta tese analisa a formulação, implementação e os desafios contemporâneos da Política de Saúde Mental no município de Camaçari (BA), à luz dos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo parte do pressuposto de que a consolidação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) depende de múltiplas dimensões — estruturais, institucionais e simbólicas — que se entrelaçam nos campos burocrático, político e profissional. Com base em abordagem qualitativa e de inspiração sociológica bourdieusiana, a pesquisa examina o contexto histórico, político e social que condicionou a implementação da política local, bem como as trajetórias e percepções dos agentes que atuam na formulação, gestão e execução das ações em saúde mental. Os dados empíricos foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com gestores, coordenadores e profissionais da rede, além de análise documental de marcos normativos, e relatórios de gestão. A análise revelou que, apesar de avanços estruturais — como a ampliação dos serviços especializados, a criação de novos CAPS e o início da integração com a Atenção Primária à Saúde —, persistem entraves significativos que comprometem a efetividade da política. Entre eles, destacam-se a fragilidade na coordenação intersetorial, a carência de formação continuada e a insuficiência de recursos humanos qualificados. Observou-se que os agentes locais, embora apresentem baixo capital político e científico, demonstram forte compromisso com o SUS e com a defesa da saúde pública como direito social, o que se traduz em práticas de resistência e inovação no cotidiano dos serviços. As tensões observadas entre os campos político, burocrático e profissional refletem uma disputa simbólica e material pela definição legítima das prioridades e modos de gestão da política. A manutenção de práticas tradicionais, ainda marcadas por lógicas biomédicas e fragmentadas, confronta-se com a emergência de novas demandas e concepções sobre o cuidado em liberdade. Conclui-se que a consolidação da RAPS em Camaçari requer não apenas o fortalecimento institucional da rede, mas também uma redefinição das relações interprofissionais e dos mecanismos de gestão participativa, de modo a promover práticas colaborativas e territorializadas. Como contribuição teórica e prática, o estudo oferece subsídios para a formulação de políticas locais mais coerentes com os princípios da Reforma Psiquiátrica e propõe a ampliação de espaços de formação e reflexão coletiva sobre o cuidado em saúde mental. Recomenda-se, ainda, que futuras pesquisas investiguem os impactos da rotatividade de gestores sobre a continuidade das políticas, as condições de trabalho das equipes e as estratégias de articulação entre os níveis de atenção, considerando a complexidade das demandas contemporâneas em saúde mental.ptPolítica de saúde mentalRede de atençãoRede de assistência psicossocialCamaçari - BahiaA política de saúde mental no Município de Camaçari-Ba: dilemas e desafiosMental health policy in the municipality of Camaçari-Ba: dilemmas and challengesTese