Os manguezais de Porto de Sauípe: um estudo etnográfico sobre a segurança alimentar

A relação entre segurança alimentar e condições ambientais se constitui como uma da mais profícuas teorizações contemporâneas sobre segurança alimentar e sustentabilidade. São inúmeros os vínculos, não sendo possível dar conta aqui de todos os nexos dessa relação. Nesse sentido, destacamos os mais próximos ao tema desta pesquisa, quais sejam: os manguezais de Porto de Sauípe, que se pretende um estudo etnográfico sobre a segurança alimentar. O tema da investigação aborda dimensões teóricas e empíricas referentes à segurança alimentar3, ao ambiente e à prática de acesso a alimentos em área de manguezais4. A complexidade deste tripé, além de impor uma abordagem que demanda conceitos em vários campos do saber, trata de uma área de conhecimento a ser delimitado. A literatura em língua portuguesa sobre segurança alimentar, no Brasil, trata do acesso aos alimentos quase exclusivamente pela produção agrícola, deixando de evidenciar outras potencialidades naturais que o País possui, a exemplo dos mares, como apontou Castro (1983), há mais de trinta anos. Não se pode desconhecer a importância do uso da terra e as questões históricas e políticas pertinentes, mas é necessário chamar a atenção para os recursos aquáticos, em particular os manguezais, importantes provedores de alimentos, livres das políticas agrárias escravocratas. O manguezal, historicamente, se constitui numa alternativa de fixação do homem na terra, por ser um território livre e de acesso aos alimentos. Constitui-se, também, em berçário de proteínas de alto valor biológico e de acesso coletivo das populações que dele sobrevivem, configurando-se em um espaço de segurança alimentar. Diversos grupos humanos, principalmente aqueles na condição de famintos, migraram para regiões dos manguezais, fixando moradia pela certeza que, de fome, não morreriam. Nesse horizonte, tomou−se como objeto de investigação o significado da segurança alimentar elaborado pelas marisqueiras e catadores de caranguejo nos manguezais de Porto de Sauípe, no período de março a novembro de 2001. Este estudo é relevante pela contribuição em torno do conceito da segurança alimentar, dos problemas alimentares e do meio ambiente em níveis local e global. O principal objetivo deste trabalho foi o de compreender os significados da segurança alimentar elaborados pelas marisqueiras de Porto de Sauípe, ainda que nem sempre explícitos, mas presentes em meio à pluralidade do contexto em que foram produzidos. Os objetivos específicos são interpretar as expressões significativas referentes à segurança alimentar observadas nos discursos da população estudada, e descrever as práticas de sobrevivência, os hábitos alimentares criados no cotidiano das marisqueiras e sua relação com a segurança alimentar.

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