Literatura infanto-juvenil brasileira: relações étnico-raciais.
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Universidade Catolica de Salvador
Através do presente texto enfocaremos doze produções literárias infanto-juvenis brasileiras
publicadas entre 1979 e 1989, com o objetivo de analisar a imagem que emerge dos personagens negros
nas narrativas de escritores consagrados pela crítica literária e de outros que, mesmo não sendo
aludidos por essa crítica, permanecem presentes no mercado livresco desde os anos 80 até a atualidade.
Os pressupostos teórico-metodológicos que nortearam o estudo consistiram na pesquisa bibliográfica e
na interpretação da narrativa, à luz da crítica e da teoria literária, além de subsídios teóricos
emergentes das Ciências Humanas e Sociais. Constatamos a predominância de três tendências temáticas
na tessitura das narrativas: denuncia da pobreza, do preconceito racial e o enaltecimento da beleza
“marrom” e “pretinha” de dois protagonistas. Por outro lado, diversas produções corroboram para
reforçar exatamente o que se tentou denunciar: o preconceito racial, uma vez que alguns protagonistas
negros são: a) em grande maioria, associados à pobreza, quando não à miserabilidade humana; b)
desamparados, sem família, haja vista a carência do pai e/ou da mãe; c)tecidos de maneira inferiorizada
e sujeitos à violência verbal e/ou física; d) enaltecidos pelos atributos físicos e/ou intelectuais, com vista
à democracia racial. Dentre as narrativas analisadas, excetua-se uma que, mesmo apresentando alguns
problemas, dá um salto de qualidade ao exprimir o universo imerso em fantasia e ludicidade da
protagonista. Trata-se da narrativa A cor da ternura. Nesta obra, Geni, “força flutuante”, ascende
profissionalmente, sendo “tutora” de si mesma, e rompe com os estereótipos depreciativos atribuídos aos
personagens negros.
