Morfologia e produção das feiras livres em municípios da microrregião geográfica de Itapetinga-Ba
Data
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Católica do Salvador
Desde a formação das sociedades em recortes têmporo-espaciais diversos, as feiras livres sempre fizeram parte das práticas humanas. Na Antiguidade, quando o homem primitivo deixou de ser simplesmente coletor, passa a ser produtor de seus alimentos, comercializando o excedente da produção. Na Idade Média, as feiras livres já faziam parte dos cenários urbanos, ainda que os grupos humanos estivessem fixados predominantemente no espaço rural. Na chamada “Era
Moderna”, os espaços livres de comercialização ganharam novo significado, e as cidades voltaram a ser lugares privilegiados para o comércio, sobretudo nas feiras livres. Chega-se então à contemporaneidade, na qual o capitalismo impulsiona o processo de urbanização e a atividade de compra e venda é transferida para o espaço “privado”, as grandes redes de supermercados. Como o processo de mundialização econômica não chega a todos os lugares ao mesmo
tempo e com a mesma intensidade, a desterritorialização das feiras livres demora a acontecer – principalmente em lugares onde os elementos que regem o modo de vida (cultura, economia, meiofísico) resistem a ser modificados. Nesse contexto, tais fenômenos continuam existindo em alguns lugares do Brasil, sobretudo em vários municípios da Região Nordeste, onde o processo de mundialização econômica acontece de forma lenta. Em espaços onde o capitalismo não conseguiu se estabelecer de forma homogênea, as velhas relações homem e espaço resistem, submetidas a transformações lentas. Nessas condições, podem ser citadas as feiras livres, práticas tão antigas quanto o processo de formação das sociedades.
Na Bahia, onde as diferenças econômicas evidenciam-se, várias mudanças têm ocorrido na prática em questão: a mudança do dia em que acontece, a alternância de produtos oferecidos e a perda da importância para a sociedade local são alguns exemplos. Esta última constitui a problemática da pesquisa, que levanta outras questões a serem respondidas no seu decorrer. A escolha da área para o desenvolvimento da pesquisa é resultado da necessidade de
compreender o funcionamento das relações econômicas e culturais entre as cinco sedes municipais que integram a Microrregião Geográfica de Itapetinga no Estado da Bahia. Antes de 1988, o IBGE havia dividido o Estado da Bahia, assim como os demais estados brasileiros, em mesorregiões e microrregiões homogêneas. A partir de então, essa Fundação, renomeou os espaços sub-regionais, Itapetinga e os demais municípios incluídos na Microrregião Pastoril de Itapetinga - que passam a fazer parte da Microrregião Geográfica de Itapetinga.4 Esse recorte sub-regional, polarizado pela cidade de Itapetinga, é composto por nove municípios e vem passando por grandes transformações econômicas nas últimas décadas. Nesse
contexto, se dará o desenvolvimento da pesquisa, com a análise das atividades comerciais de 05 (cinco) municípios (ver tabela 01), todos, centros locais – exceto Itapetinga, considerado centro subregional.
