Dona Flor: a década de 30 revisitada (Jorge Amado e a academia dos rebeldes)

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Católica do Salvador
A comunicação prende-se ao projeto “Imagens/representações do Brasil e da Bahia, a partir da recepção crítica da produção de Jorge Amado”, de Teoria da Literatura III. A metodologia aplicada liga-se aos estudos literários da atualidade contemporânea, respeitando-se o diálogo com os diversos campos das manifestações culturais; segue ainda a coleta de fontes primárias em periódicos, tratadas com os instrumentos da recepção crítica. Tomando como âncoras reflexões de Ivia Alves, referentes à realocação dos romances amadianos vistos sob a perspectiva dos anos 30, a narrativa “Dona Flor e seus dois maridos” ganha outra leitura, que permite a constatação da permanência na sociedade brasileira de impasses que coincidem com os do Estado Novo, embora sob patamar diverso, como: o conservadorismo do poder político no País e sua aliança com os segmentos mais progressistas. Essas angulações fazem da ficção Dona Flor, também um acontecimento memorialístico, que permite ressurgir fatos da juventude de Amado, associados a seus depoimentos críticos. É o caso das audiências em busca do autor da “Elegia à definitiva morte de Waldomiro dos Santos Guimarães, Vadinho para as putas e os amigos” – o primeiro esposo de Dona Flor: as lembranças da Academia dos Rebeldes, à qual Amado pertencera, presentes desde “O País do Carnaval”, evidenciam os pontos de toque: a década de 30 lida na ficção de 60 ou vice-versa. Aliás, dois momentos desastrosos da política nacional: a ditadura de Vargas e a militar de 1964.

Descrição

Citação