Rasgando as páginas do silenciamento: o lesbianismo na literatura brasileira

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Universidade Católica do Salvador
Embora não encontremos o homossexualismo feminino como tema recorrente em nossas letras, encontramos sua manifestação em obras de grandes autores que vão desde Gregório de Matos e Joaquim Manoel de Macedo a Lygia Fagundes Telles, passando por Aluísio Azevedo. Apesar de, na maioria das vezes, ao escreverem sobre o “amor proibido”, o tenham feito de forma caricatural e/ou pejorativa, não podemos deixar de ressaltar a importância dessa iniciativa, já que, partindo de uma perspectiva libertadora, esses autores ousaram tocar em um assunto até então relegado ao silêncio. Essa coragem foi e é ainda maior quando quem ousa escrever sobre tal assunto é uma mulher, pois corre o risco quase que inevitável de ser considerada lésbica. Por tudo isso, este trabalho objetiva fazer um retrospecto acerca do tratamento dado ao lesbianismo na Literatura Brasileira e suas formas de abordagem em diferentes épocas e por autores de estilos diversos. Através de um processo de análise crítico-reflexiva, buscamos discutir o fato de o lesbianismo ter sido excluído daquilo que se convencionou chamar de literatura, ficando, quase sempre, à margem da arte literária e sendo, por vezes, classificado como “pornográfico”. Faz-se necessário que tais preconceitos sejam deixados de lado e se passe a escrever e discutir sobre o lesbianismo como se escreve e se discute sobre a escravidão, as guerras, a fome, o amor, a amizade, enfim, é necessário que haja uma, se não total, pelo menos ampla, desmitificação do assunto, de modo que possa ser tratado sem maiores constrangimentos.

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