Polinização de centrosema brasilianum (fabaceae) em ambiente costeiro da região metropolitana de Salvador/ Bahia
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Universidade Católica do Salvador
Centrosema brasilianum apresenta flor com morfologia bastante elaborada, e o pólen fica protegido no interior da quilha, e só é exposto quando todo o conjunto floral é acionado pelo peso de abelhas de grande porte. Por esse mesmo motivo, o pólen fica pouco acessível como alimento para os visitantes florais. O néctar na base da corola também é de difícil acesso. De maneira geral, apenas abelhas robustas e com língua longa conseguem alcançar o néctar e efetuar a polinização, no caso nototríbica (com o dorso do corpo). Os visitantes florais de C.brasilianum foram amostrados em hábitat restrito de dunas (Dunas do Stiep), isolado em meio a área urbana de Salvador. As abelhas foram observados e amostradas nas flores com rede entomológica entre outubro/2002 e julho/2003. Foram coletados 108 indivíduos de 9 espécies de abelhas, distribuídas em seis tribos. As abelhas do gênero Xylocopa (Xylocopini) foram extremamente dominantes 84,5% de abundância relativa, embora outras abelhas de grande porte (Euglossa (7,4%), Eulaema (1,8%), Eufriesea (1%), todos Euglossini, e Epicharis (1%), Centridini) estivessem presentes, atuando como polinizadores efetivos. Ao contrário da maioria dos estudos com o gênero Centrosema em que Xylocopa aparece como polinizador importante, esse gênero atuou sistematicamente como roubadores de recursos florais em C.brasilianum nas Dunas: acessavam o néctar pela porção externa e posterior da flor, perfurando a base da corola. A pequena abundância ocupada de maneira mais eficiente por Xylocopa. Espera-se, portanto, um comprometimento do sucessos reprodutivos, especialmente, via polinização cruzada, de C.brasilianum nas Dunas do Stiep.
