Uma proposta de atuação de disciplina básica do currículo de enfermagem em atenção a comunidade carente
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Universidade Católica do Salvador
O currículo do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Católica do Salvador possui, em seu fluxograma, diversas disciplinas básicas para a área de saúde, dentre as quais a Parasitologia Humana, que é oferecida durante o 3º semestre do curso, e recebe, semestralmente, cerca de 120 alunos distribuídos em duas turmas, uma matutina outra vespertina. Tem, por ementa,
estudar a associação do parasitismo, as parasitoses humanas que incidem no Brasil adoecendo o seu povo, sua sintomatologia, diagnóstico parasitológico, epidemiologia e profilaxia, além de incluir os animais peçonhentos e os acidentes por eles provocados. São-lhe atribuídos dois créditos teóricos (30 horas) e dois práticos (30 horas), semestralmente. A disciplina é administrada através de aulas teóricas, utilizando retroprojeção e projeção de slides, seminários, com a participação de alunos, reconhecimento de parasitos preservados ou montados em lâminas, em aulas práticas, e demonstração de técnicas de laboratório para realização de diagnóstico parasitológico. O Brasil, País em desenvolvimento, depara com graves e inúmeros problemas de doenças parasitárias em sua população: “É na esteira da pobreza, da falta de educação e de saneamento básico, que as doenças
parasitárias encontram um campo fértil” (NEVES, 2003).
Com relação às helmintoses intestinais, por exemplo, pesquisa realizada por Pellon e Teixeira entre 1949 e 1953, baseada em exames parasitológicos de fezes de cerca de 7000 mil escolares entre 7 e 14 anos de 17 estados brasileiros das regiões Norte, Leste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, estimou em 65 milhões de habitantes os parasitados por helmintos intestinais. O censo populacional da época, de 1960, calculava a população do Brasil em 70 milhões de habitantes dos quais 50 milhões parasitados pelo Ascaris lumbricoides, 25 milhões pelos Ancilostomídeos, 30
milhões pelo Trichocephalus trichiurus, 6 milhões pelo Schistosoma mansoni, cerca de 10 milhões pelo Enterobius vermicularis, Strongyloides stercoralis e pelos cestódeos. Cerca de 20 anos depois (1970), Dra. Lea Camillo-Coura publicou em sua tese de doutorado o panorama brasileiro para uma população de 73 milhões de habitantes no Brasil; 46 milhões estavam parasitados por A. lumbricoides, 24 milhões por T. trichiurus, 20 milhões por Ancilostomídeos e 1,5 milhão por S.
stercoralis. Levantamento multicêntrico de parasitoses intestinais no Brasil (RHODIA, 1988), revelou 55,3% das crianças parasitadas, sendo que 51%, poli-parasitadas. “As doenças parasitárias, bastante numerosas, causam expressivos problemas médico-sanitários em muitas regiões. No Brasil, infelizmente, grande parcela da população paga tributo a elas, como decorrência de disseminações facilitadas ou propiciadas por condições ambientais, pela presença de hospedeiros intermediários e vetores que tornam viáveis as transmissões, e, ainda, pela participação de deficiências econômicas, educacionais e sociais que não puderam ser controladas e removidas, mas que agora são prioritários alvos das preocupações de várias autoridades governamentais”. (NETO; LEVI; LOPES, 1976).
O enfermeiro, profissional integrante da equipe multidisciplinar de saúde, tem relevante importância social na profilaxia das doenças humanas. Com a visão da importância da enfermagem em atividades de educação sanitária e na
atuação na profilaxia de doenças parasitárias, a disciplina de Parasitologia Humana tem-se preocupado em estimular o alunado para atuação na sociedade brasileira carente, desenvolvendo atividade de pesquisa e de extensão, e na iniciação da prática do ensino. Com estes objetivos, tem mantido monitores e avaliado o aprendizado do aluno de graduação na disciplina com as citadas atividades de ensino, pesquisa e extensão. No período considerado (agosto de 2002 a junho de 2003), tem contado com a colaboração das creches da Pupileira, no bairro de Nazaré, e nas do Bairro da Paz, todas mantidas pela Santa Casa de Misericórdia, em Salvador, Bahia, resultando numa parceria em que UCSAL e Santa Casa
da Misericórdia têm sido, ambas, beneficiadas.
