Você tem fome de educação à distância?
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Universidade Católica do Salvador
O presente trabalho visa a resgatar algumas discussões acerca da Educação à Distância, propondo uma categorização dos ambientes que compõem essa modalidade. Tal classificação objetiva estabelecer um referencial para uma melhor avaliação dos cursos na referida modalidade. O ensino à distância, no Brasil, tem uma trajetória que precede a utilização da informática na Educação: o ensino por correspondência, escolas radiofônicas, a Teleducação são exemplos dessa
modalidade. Tais experiências, no entanto, partiram da mesma concepção de Educação enquanto transmissão de informação, e os recursos técnicos eram apenas meios, eficazes ou não, de fazer a informação chegar a um número maior de pessoas. Assim, para Nova e Alves (2003): [...] um dos grandes problemas desses cursos relacionava-se à quase que completa falta de interatividade do processo de aprendizagem, devido à dificuldade dos alunos de trocarem experiências e dúvidas com professores e colegas, o que desestimulava e empobrecia todo o processo educacional. Nesse sentido, a ênfase
da aprendizagem centrava-se no autodidatismo. Nas propostas estatais, estava implícita a necessidade de corrigir as distorções e a falta de acesso à Educação para a maioria da população, através dos meios de comunicação de massa, como
rádio e TV. Foi bastante fantasioso imaginar que tais distorções, consolidadas por um longo processo histórico de exclusão educacional, seriam resolvidas, apenas, com a utilização dessas mídias, sem uma reforma educacional que proporcionasse a inclusão numa escola de qualidade. Há o risco de que o mesmo aconteça com a educação à distância. Esta modalidade de Educação só se evidencia quando em oposição à educação presencial – a qual se realiza num espaço geográfico determinado e com a presença física dos atores do processo. Estamos habituados a restringir a Educação apenas ao ambiente escolar. A utilização das tecnologias de comunicação em rede possibilita romper com essa territorialidade, introduzindo
outros espaços de aprendizagem. Nesse sentido, a EAD surge como possibilidade de construção de saberes globalmente distribuídos, já definidos como inteligência coletiva por Lévy (1994). Entretanto, todo esse potencial será esvaziado se a EAD for entendida como “tapa-buraco” para as distorções presentes na educação brasileira, essencialmente na formação de professores. A utilização da EAD em toda a sua potencialidade só acontece numa proposta de superação de
dicotomias, ainda presentes nas diversas instituições educacionais, como presencial / à distância, conhecimento formal / informal, escolar / extra-escolar, entre outras. Essa modalidade de educação tem despertado o interesse de diversos setores da sociedade, desde empresas ao Ministério da Educação. As empresas porque buscam a solução para a formação continuada e em serviço de seus empregados a um baixo custo, enquanto que para o MEC a EAD surge como solução para as novas demandas de formação de professores nos termos da LDB
9394/96, artigos 52 e 62. Para entender a complexidade do problema, é essencial analisar o que o Governo entende por Educação à Distância, o que irá sinalizar a maneira como pretende utilizá-la
nas políticas públicas:
[...] uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de
recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes
suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelo
diversos meios de comunicação (DECRETO 2494 de 10/02/1998).
O debate acerca da problemática que envolve a utilização da EAD na formação de
profissionais ainda se encontra em aberto, embora já emirjam várias distorções na forma de condução – estatal ou privada – dessa prática educacional. (BARRETO, 2001; ALVES e NOVA, 2003; TOSCHI, 2001). Várias experiências analisadas demonstram que a utilização dessa modalidade ainda acontece presa aos conceitos de currículo e aprendizagem que marcaram as Pedagogias tradicionais
e objetivistas, esvaziando de significados a utilização das novas tecnologias na Educação. Nessa perspectiva, perde-se o que há de mais interessante na utilização das tecnologias na Educação: a interatividade, a virtualização e as construções coletiva e cooperativa de conhecimentos (LÉVY, 1994). Jonassen ressalta que a educação à distância só trará mudanças significativas se estiver atrelada em concepções construtivistas de ensino/aprendizagem “quando tecnologias interativas são usadas para apresentação de palestras aos estudantes em localidades remotas, com potenciais de interação limitada ou inexistente, nenhuma inovação é apresentada” (1996, p. 70). Após resgatar o significado do construtivismo para a Educação, dando ênfase à contextualização dos fenômenos, construção de significados e interação social, o citado autor traz alguns exemplos de utilização da EAD (como CoVis) dentro de uma perspectiva de aprendizagem significativa, onde “as tecnologias podem ser usadas para aliciar e apoiar o pensamento reflexivo,
conversacional, contextual, complexo, intencional, colaborativo, construtivo e ativo dos estudantes à distância” (1996, p. 73). Acentua que o desenvolvimento e aperfeiçoamento de várias ferramentas da informática ampliaram as opções de utilização construtivista, propiciando possibilidades como: simulação, hipermídias, internet, multimídia, etc. É necessário que um ambiente de Educação à Distância deva ir além de um ambiente instrucional ligado à Internet, com a utilização e articulação de diversas ferramentas que possibilitem melhor nível de interatividade do ambiente, dentro de uma proposta de aprendizagem construtivista. Esta perspectiva, no entanto, exige maiores investimentos em recursos humanos e técnicos.
