Violência racial – uma perspectiva psicológica
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Universidade Católica do Salvador
A violência racial, em especial o racismo, tem conseqüências psíquicas tanto para quem é vitima da discriminação quanto para quem discrimina. A interiorização das atitudes e os comportamentos sociais desenvolvidos num contexto marcado por relações raciais conflituosas deixam marcas invisíveis que interferem nos processos de identificação individual e na construção da identidade coletiva do negro. O desenvolvimento desse sujeito, de sua subjetividade e identidade, é marcado por vivências sistemáticas de discriminação e ofensa em relação a suas características étnicas. Essa experiência, por sua vez, pode gerar uma série de questões identificatórias a partir das quais o sujeito não pode reconhecer a si próprio de forma serena e não conflituosa, produzindo tanto o sofrimento quanto constrangimento à expressão subjetiva. Esses conflitos resultam em sofrimento psicológico intenso, que pode chegar a gerar quadros clínicos. Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, há uma firme associação entre as experiências de racismo e o maior risco de manifestação ou agravamento de problemas mentais. Para que haja uma mudança efetiva na condição do negro, é necessário não apenas consciência dessa condição, engajamento em relação às lutas contra discriminação, mas também a elaboração dos sentidos do racismo inscritos na psique, pois é necessário, para que o superemos, o enfrentamento das dimensões subjetivas que o constituem e o sustentam. A partir dessa reflexão, buscaremos, discutir sobre o que a psicologia vem produzindo sobre essa temática, com atenção especial para as reflexões sobre as conseqüências psicológicas da violência racial
