Disfonias em professores da rede particular de ensino médio e fundamental
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Universidade Católica do Salvador
O estudo das disfonias tem sido realizado em vários países e revela uma taxa elevada entre profissionais que utilizam a voz como principal instrumento de trabalho. Segundo estimativas americanas, aproximadamente 28 milhões de profissionais experimentam diariamente problemas vocais, e, destes, os professores representam a profissão que mais busca o acompanhamento
otorrinolaringológico (VERDOLINI, 2001). Embora as atividades que utilizam a voz como instrumento sejam as mais antigas, a exemplo dos docentes (TEIXEIRA, 2000), as patologias relacionadas com o uso excessivo da voz ainda não
são reconhecidas como doença ocupacional. Porém, segundo Bernardino Ramazzini, considerado o “Pai da Medicina do Trabalho”, em sua obra De Morbis Artificum Diatriba, publicada em 1700 na Itália, a rouquidão é um agravo que ocorre pelo uso excessivo da voz (RAMAZZINI, 1999). Ao considerar que o quadro de readaptação é um indicador importante das condições de saúde, uma pesquisa – realizada entre trabalhadores de educação da rede pública estadual do Rio de
Janeiro, entre 1993 e 1997 – identificou que, entre as principais clínicas que motivam os casos de readaptação junto à perícia médica, em relação aos professores, destaca-se a Psiquiatria, assim como a Otorrinolaringologia (BRITO, 2000). Um estudo comparativo realizado na cidade de Lowa, nos EUA, identificou que os professores queixavam-se de problemas vocais 2,5 vezes mais do que
o outro grupo (SMITH, 1997). O presente anteprojeto pretende dar continuidade à linha de pesquisa que vem se desenvolvendo em parceria entre o Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da UFBA (DMP) e o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia – SINPRO-BA, que realizou um amplo estudo epidemiológico em amostra representativa das escolas privadas de Salvador, em 1998. Neste estudo, constatou, entre outras coisas, que duas, das cinco principais
queixas relatadas pelos 573 professores estudados, estavam relacionadas a problema de voz (ARAÚJO, 1998). Uma pesquisa realizada para avaliar os fatores potencialmente associados às doenças ocupacionais ocorridas no ambiente de escolas de ensino fundamental, médio e superior, realizada em Vitória da Conquista, revelou, dentre outros, os seguintes fatores: cargas físicas; salas de aula
sem ventilação; salas com ar condicionado sem manutenção, deixando o ambiente muito frio; umidade devido à falta de manutenção dos prédios; paredes das salas que abafam o som ou o faz reverberar; temperatura elevada no verão; ruído produzido pela quantidade de alunos em sala de aula; pó de giz; uso inadequado da voz; respiração incorreta; tripla jornada e intensificação do trabalho; refeições sem qualidade e regularidade; ritmo e intensidade do trabalho para cumprir o
programa; atenção e responsabilidade durante as aulas; pressão dos colegas e dos superiores hierárquicos (TEIXEIRA, 2000). Os dados desta pesquisa poderão elucidar os fatores associados às disfunções vocais entre professores, a fim de que sejam desenvolvidos por instituições competentes programas eficazes,
visando à prevenção de distúrbios vocais entre trabalhadores que utilizam a voz como principal instrumento de trabalho.
