Memórias, laços e simbologias: a pesca feminina
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Universidade Católica do Salvador
O artigo faz-se sobre a mulher na atividade pesqueira sem o devido reconhecimento de seu
trabalho e da definição de seus direitos. Na busca pela sobrevivência, estas mulheres adaptaram-se às
exigências e regras da lógica do capital, o que resulta na atual luta pela valorização de sua atividade
pesqueira e pelas suas garantias trabalhistas. O contato com a riqueza da região da Baía do Iguape/ BA,
aguçado pela vivência do mundo simbólico das pessoas ouvidas, leituras sobre as festas e comemorações
religiosas, direciona a pesquisa, ainda mais, para os aspectos culturais marcantes desta população. Isto
é refletido na incorporação, ao trabalho, do levantamento das histórias do cotidiano da mulher
pescadora em seu espaço de vivências, o que evidencia que espaço e tempo não devem ser separados
jamais ou, caso contrário, não se consegue expressar claramente, pela linguagem, o que se quer dizer.
Ressalta-se aqui a necessidade de sensibilidade para ler o espaço, já que a mulher pescadora tem no seu
cotidiano o desenvolvimento de espaços legíveis que expressam a cultura em seus diversos aspectos,
possuindo uma faceta funcional e outra simbólica. Interpretar os fenômenos da vida social, neste tipo de
abordagem, é compreender a “experiência” através da qual o indivíduo, neste caso a mulher pescadora,
constrói a sua vida interior e se capacita a interpretar a de outrem na descoberta dos significados, na
interpretação do sentido interno e subjetivo das estruturas culturais que se espraiam nas vivências na
Baía do Iguape.
