A representação dos orixás e da ancestralidade em Dona Flor e seus dois maridos

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Universidade Católica do Salvador
Alicerçado em leituras de textos antropológicos, de mitos e na observação de Candomblés e Umbandas, procuramos demonstrar na dissertação A representação dos Orixás e da Ancestralidade em Dona Flor e Seus Dois Maridos, a importância de arquétipos da mitologia afro-brasileira na construção das personagens e do enredo do romance. Entendemos que as características dos orixás das personagens e/ou os mitos referentes às entidades guiam as ações das pessoas ficcionais, conseqüentemente, os destinos da obra ora estudada. Notamos a existência de usos e costumes de nossa ancestralidade, alguns ainda persistindo em nosso tempo e na vida não-ficcional baiana. Assim, concluímos que o referido romance foi edificado a partir de nossos costumes e de aspectos da religiosidade negro-brasileira. Portanto algo mais que uma história esotérica e de amor, sendo uma obra de afirmação identitária. O caráter afirmativo e identitário da obra não podem ser vistos “a olho nu”. Faz-se necessário o conhecimento de nossa ancestralidade e, em especial, de religiões negro-brasileiras para entender o texto. Desta forma, somente nas entrelinhas do texto amadiano, pode ser visto o mais importante de sua mensagem: a defesa da identidade brasileira. A partir desta leitura, abrimos a perspectiva de uma verticalidade maior em algumas obras filiadas ao viver baiano, além de Jorge Amado. Ainda devemos dizer que o panfletário inexiste na defesa amadiana. O belo, o amor, o cotidiano e o riso são os pretextos ou links para o hipertexto por entre as linhas do romance.

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