O que (não) se vê nas aulas de matemática do Telecurso 2000 do 2o Grau

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Universidade Católica do Salvador
Este trabalho se propõe analisar, sob a ótica da pedagogia, as aulas de matemática do Telecurso 2000 do 20 grau. Este programa é assistido por milhões de brasileiros, neste contexto, a proposta é pontuar o que estes telespectadores estão assistindo. O Telecurso 2000 é um projeto da Fundação Roberto Marinho (FRM), em parceria com algumas instituições ligadas à indústria, inclusive a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP). Esse curso tem por objetivo, segundo seus autores, levar conhecimento a quem não tem tempo de freqüentar regularmente uma sala de aula em escola oficial por motivos diversos, principalmente de trabalho. Um estudo sobre esse programa é de grande relevância, visto a dimensão que o Telecurso 2000 tomou ao longo dos anos que vem sendo veiculado. Em 2000, foram registradas 600 telessalas no País. Daí fazer-se necessário um melhor tratamento não só dos conteúdos conceituais abordados, mas também nos conteúdos atitudinais (o uso da cerveja, por exemplo), e quem sabe até nos procedimentais. Para os que acreditam ser o telecurso um projeto obsoleto, vale a pena salientar que vários governantes brasileiros, a nível estadual e municipal, estão fazendo parceria com a FRM no sentido de utilização deste material didático como suporte principal de projetos educacionais. O curso de Matemática, que aborda os conteúdos do Ensino Médio, é transmitido através de aulas em fitas de vídeo. São nove fitas cassete, cada uma contendo oito aulas, sendo que a fita de número 09 possui seis aulas, totalizando 70 aulas. Cada aula tem duração aproximada de 15 minutos. Todas as aulas foram assistidas mais de uma vez e seus conteúdos foram “transcritos”. As aspas se referem à dificuldade de transformar o texto oral em escrito, pois o primeiro exige do leitor-escritor uma adequação de linguagem para sua melhor compreensão. Elementos importantes podem ter-se perdido neste momento, como também outros podem ter sido redimensionados. Mas o trabalho não se propõe trazer uma verdade e sim “verdades” que podem e devem ser analisadas, debatidas e, se necessário, repensadas e até reescritas. O propósito inicial era avaliar os conteúdos conceituais abordados ao longo das 70 aulas, mas, durante a análise do objeto de estudo, alguns elementos “saltaram aos olhos” desta pesquisadora. Daí tornou-se imperativo ver o que não era para ser visto. O uso da cerveja pelos personagens foi um deles. Surgiu a necessidade de categorizar os conteúdos em conceituais, atitudinais e procedimentais. Classificação semelhante à adotada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), documento que visa a auxiliar o professor na execução do seu trabalho por meio de sugestões, entre outros procedimentos, no que se refere às competências e habilidades que o educando deve possuir ao final da Educação Básica. A atração que a autora tem sobre o objeto de estudo data de junho de 1996, quando fez um ensaio sobre as aulas de matemática do Telecurso que precedeu o programa quase homônimo Telecurso 2000, o primeiro saiu do ar em 1996 sendo substituído por este similar, porém com recursos tecnológicos mais avançados. O referido trabalho, de título Educação e imagem televisiva: aulas de Matemática do Telecurso do 10 grau foi produzido, coincidentemente, no mesmo ano da promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB)5. Neste mesmo ano, foi ao ar o novo telecurso. A escolha da referida disciplina foi motivada pelo fato da autora ser licenciada em Matemática. Dessa forma, a análise não é só sobre a didática adotada nas aulas, mas também no que se refere aos conteúdos abordados. A restrição ao curso do Ensino Médio se deve ao fato de a mesma já ter feito uma monografia sobre as aulas de matemática do Telecurso 2000 do ensino fundamental, para crédito final do curso de Bacharelado em Comunicação Social, de título: “Descortinando as aulas de Matemática do Telecurso 2000 do 10 grau”. Os dados, obtidos após a análise de conteúdo das aulas de Matemática do Telecurso 2000 do 20 grau, mostram que a contextualização dos conteúdos matemáticos é feita em mais de 90% das teleaulas. São setenta aulas; destas, sessenta e oito têm seus conteúdos conceituais aplicados a uma situação cotidiana. Com as outras duas (n0 57 e 58), o mesmo não ocorre. O assunto "potências com expoentes fracionários" e "equações exponenciais" é trabalhado sem aplicação prática. O trabalho está inconcluso, mas já foram encontrados erros nos conteúdos conceituais matemáticos em mais de 10% das aulas. Há uma sinalização de que – partindo-se do princípio que a Fundação Roberto Marinho representada por seus dirigentes não tem interesse em veicular informações erradas sobre a disciplina Matemática ou qualquer outra matéria em estudo – o mais plausível é que a mesma contrate profissionais qualificados e comprovadamente competentes para avaliar os conteúdos das teleaulas, não só de Matemática, mas também de todas as disciplinas que fazem parte dos cursos direcionados para o Ensino Médio e para o Ensino Fundamental. E que os profissionais a contratar não sejam apenas Geógrafos, Matemáticos, Lingüistas, Historiadores, Físicos, Químicos, Biólogos, profissionais específicos das disciplinas que compõem o curso; mas também Psicólogos, Sociólogos, Filósofos, Pedagogos e, principalmente, Comunicólogos. Na dissertação de mestrado defendida por professora Magdalândia Cauby são indicadas a integrar nas contribuições à Educação de Jovens e Adultos, ainda, as áreas Antropologia, Política e Economia. A mestra não se reporta aos Comunicólogos, entretanto, e pode ser esta uma das contribuições deste trabalho, já que seu objeto de estudo é transmitido através de um Meio de Comunicação de Massa (MCM), a televisão.

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