O “episódio dos perdões”: igreja e política na Bahia

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Universidade Católica do Salvador
O Arquiepiscopado de D. Augusto Álvaro da Silva (1924-1968) foi permeado por desentendimentos com diversas Ordens religiosas decorrentes de reformas empreendidas pelo Arcebispo no intuito de reorganizar as atividades católicas na Bahia. O Caso dos Perdões configura um exemplo singular de intervenção por caracterizar uma reação à decisão do Prelado baiano: Visando transferir a direção do Educandário do Sagrado Coração de Jesus, anexo ao Recolhimento do Bom Jesus dos Perdões, para a Congregação de Nossa Senhora dos Humildes, D. Augusto, após negociações, visita o Recolhimento na Semana Santa de 1936 para destituir a Madre Regente e Diretora Irmã Maria José de Senna, que apresenta resistência contra as determinações Arquiepiscopais, dando origem a um processo judicial que tramitou por alguns anos nas justiças estadual e federal. Ao nos debruçarmos sobre este episódio, entendemos que as representações contidas no discurso eclesiástico são responsáveis, historicamente, pela construção de uma moral feminina. A análise do universo cultural que as alunas do Educandário partilhavam – que caracterizou suas atitudes como desobediência e rebeldia – auxiliam na compreensão de aspectos pertinentes ao fato, tal como o modo como a imprensa noticiou acusações de agressão, enfatizando o modelo de condição feminina vigente no período.

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