“Parar significa exigir nossos direitos!”

O artigo analisa a precarização do trabalho no setor da construção civil em Salvador. Para tanto, é necessário compreender o moderno processo de industrialização baiano, décadas de 1960 e 1970, pois, tal processo conferiu particularidades à instabilidade ocupacional vivenciada pelos operários da construção. As altas taxas de desemprego representavam uma realidade bem transparente para os pertencentes da construção civil. Em 1997, mais de 55% dos 38 mil operários do setor estavam desempregados na Bahia. O elevado número de acidentes do trabalho constituiu-se outro dilema dos trabalhadores da construção. O desgaste físico, conseqüência da longa jornada de trabalho, e a rotatividade da mão-de-obra, sinal das novas realidades do capitalismo contemporâneo, contribuíram para o aumento do cenário de precariedade. Os trabalhadores enfrentaram tal quadro com estratégias cotidianas e “explosivas”. Com o auxílio do sindicato da categoria, foram instaladas salas de aula para os operários obterem uma instrução formal, além de treinamentos para os da construção civil melhor direcionar-se nos problemas diários do trabalho. Porém, as tensões na relação “capital e trabalho” ocasionaram em uma greve de três dias em fevereiro de 1997. A greve foi uma “explosão” diante da precarização do trabalho e representou um momento especial na trajetória dos trabalhadores envolvidos, pois os mesmos externaram uma mentalidade reivindicadora de direitos.

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