A criação de caprinos no contexto socioeconômico das unidades familiares rurais cearenses

A caprinocultura no Nordeste tem se apresentado como atividade típica de pequenas unidades familiares, capaz de lhes fornecer alimentos e renda para atender às necessidades do consumo socialmente necessário ao grupo doméstico. No Ceará, o quarto maior produtor nordestino de caprinos, a atividade se desenvolve tendo como principal produto a carne caprina, em grande afinidade com a economia familiar dos pequenos produtores. Dada a relevância dessa atividade, este trabalho tem por objetivo demonstrar as condições da caprinocultura cearense através de uma análise do mercado de carne de caprino no Estado do Ceará, no período 1974-1998. A metodologia utilizada consiste no método dos mínimos quadrados ordinários de dois estágios (MQ2E). Os resultados demonstram que na caprinocultura, o comportamento dos agentes produtores obedece à lógica da produção de bases familiares. A sensibilidade da oferta da carne caprina em relação ao seu preço é relativamente pequena e o índice de chuvas influencia a oferta do produto. Verificam-se condições favoráveis do criador em relação aos mercados consumidores, pois a demanda responde significativamente às elevações da renda da população e do preço da carne bovina, mas é inelástica em relação ao preço do produto, ou seja, se esse aumenta, a queda na quantidade demandada se dá em proporção inferior à subida do preço, elevando a renda monetária do criador. As análises envolvidas no desenvolvimento do trabalho argumentam no sentido de uma maior atenção da parte das políticas públicas em relação à caprinocultura nordestina e, particularmente, à cearense, uma vez que o estímulo a um melhor desempenho da atividade, no âmbito das unidades familiares, poderá proporcionar elevação significativa do bem-estar de um grande contingente da população brasileira, que vive no campo, onde os índices de pobreza são maiores e mais intensos.

Descrição

Citação