Trajetórias reprodutivas e aborto
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Universidade Católica do Salvador
Este artigo tem por objetivo descrever o panorama das trajetórias reprodutivas de jovens residentes nas três capitais brasileiras e explorar possíveis associações com características sóciofamiliares e relativas ao modo de entrada na sexualidade. O presente trabalho contemplará apenas os dados quantitativos do inquérito domiciliar – Pesquisa GRAVAD, Estudo Multicêntrico sobre Juventude, Sexualidade e Reprodução, realizado de outubro de 2001 a janeiro de 2002 em Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Os dados foram produzidos através de entrevista face-a-face, utilizando-se um questionário com perguntas fechadas, cuja amostra foi constituída em torno de 4634 jovens, com idade entre 18 e 24 anos. Através dos resultados encontrados, foi verificado que a maioria dos(as) jovens não
viveu o fenômeno da gravidez. Os(as) jovens sem gravidez e aborto provocado eram sobretudo brancos(as), solteiros(as), tinham alta escolaridade, pertenciam a famílias de alta renda. Estes jovens também referiram uma entrada na sexualidade de modo mais protegido. De modo distinto, a maioria dos(as) jovens que tiveram experiência de gravidez terminada em filho ou perda, com ou sem aborto
tinha baixa escolaridade, pertenciam a famílias de baixa renda e eram unidos(as)/casados(as). A origem social dos jovens está portanto associada à possibilidade de postergar a parentalidade, que pode por sua vez estar relacionada com a intenção de continuar com os estudos.
