A escrava Isaura e a inviabilidade econômica da escravidão: considerações sobre o antiescravismo de Bernardo Guimarães
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Universidade Catôlica do Salvador
Em 28 de setembro de 1871, o Estado brasileiro iniciou formalmente o processo de transição
do trabalho escravo ao livre, buscando regular, através de uma lei tal processo. Muitos senhores
reagiram à inferência do Estado em suas relações com seus escravos, relações tidas como de foro
privado. Neste contexto, alguns literatos atuaram na tentativa de convencer a classe senhorial para a
necessidade de extinguir a escravidão. Assim como apresentaram a perspectiva que julgavam ideal para
a realização deste feito. Bernardo Guimarães, para além das agruras e sofrimentos de Isaura, em seu
conhecido romance, apresenta ao leitor seu contemporâneo que o regime escravista era economicamente
insustentável. Para tanto apresenta, através de dois personagens rivais, um embate entre
emancipacionistas contra escravistas. Embate vencido pelo senhor emancipacionista tido como um
exemplo a ser seguido. Neste aspecto, o literato apresenta que a emancipação deveria se dá pelo
protagonismo senhorial que, além de assegurar seu controle sobre a mão-de-obra liberta, evitaria os
excessivos custos com a manutenção da escravidão.
