Inserção externa da indústria brasileira nos anos 90.

Na década de 90, observam-se transformações no cenário nacional, que são reflexos das reformas estruturais implementadas com o objetivo de adaptar a indústria nacional à nova forma de inserção do mercado externo. O processo de abertura da economia implementado, com a redução das tarifas de importação e eliminação de diversas barreiras não-tarifárias, foi um marco para a história da economia brasileira, que rompe o forte protecionismo até então existente. A principal conseqüência da abertura comercial aconteceu nas contas externas, com uma resposta mais rápida das importações em detrimento das exportações, traduzindo-se numa reversão no saldo da balança comercial entre 1994 e 1995, continuando a mesma deficitária durante toda a segunda metade da década. Soma-se o programa de estabilização, Plano Real (1994), que tinha como principal estratégia a sobrevalorização cambial e o aprofundamento do processo de abertura, com o objetivo reduzir as taxas de inflação crônica pela qual passava o país. Este trabalho tem, portanto, como objetivo investigar os efeitos da abertura comercial e a da estratégia de estabilização, consubstanciada no Plano Real, sobre a inserção externa da indústria brasileira. A análise dos fluxos comerciais mostrou a preocupante deterioração das contas externas na década de 90. A análise do perfil das exportações e importações nacionais apresentou a dependência da importação de bens de capital e queda da competitividade internacional das exportações brasileiras. Ainda relativo às exportações, o ganho de competitividade apresentado pelos produtos agrícolas revela uma tendência de “reprimarização” da economia brasileira.

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