O processo de assentamento como processo de produção do espaço
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Universidade Católica do Salvador
Este trabalho discute como o processo de constituição e desenvolvimento de assentamentos de reforma agrária apresenta-se também como um processo de produção do espaço. A pesquisa foi realizada a partir de investigação bibliográfica, entrevistas com técnicos do INCRA, membros de movimentos sociais e com assentados. A implantação de um PA é também uma intervenção territorial, pois o processo de transformar um latifúndio improdutivo em área reformada ocorre, modificando a apropriação e uso do espaço, alterando a organização espacial e iniciando-se um processo de produção do espaço. A implantação dos assentamentos marca um processo extremamente dinâmico de produção de novas espacialidades que emergem da combinação da atuação dos agentes que produzem um novo espaço em áreas de reforma agrária. Toda vez que processo social sofre uma modificação, a configuração territorial também se modifica e as formas geográficas antigas são substituídas e/ou adequadas às funções sociais do novo tempo. A mudança das formas só pode ser analisada entendendose que, no percurso histórico, as sociedades humanas enfrentam uma série de transformações na estrutura social que vão exigir uma resposta espacial a essas mudanças. Essa resposta é dada, modificando-se e/ou adaptando-se a configuração do espaço, como está ocorrendo nos assentamentos rurais de reforma agrária. A reforma agrária, quando materializada nos projetos de assentamento, representa uma política que pode estimular a construção de uma nova realidade social-espacial no campo brasileiro. Um novo espaço que pode e deve ser socialmente mais justo e solidário.
