Desvelando a paisagem de Morro de São Paulo/Cairu-Ba
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Universidade Católica do Salvador
No presente artigo, pretendemos, através de um estudo de caso, explorar o potencial comunicativo existente na leitura da paisagem, quando esta revela a capacidade de ilustrar diferentes racionalidades, observadas na vila de Morro de São Paulo/Cairu-Bahia, a partir da inserção do turismo como atividade hegemônica no lugar. Neste momento da pesquisa, buscamos pôr à prova o estudo das diferentes percepções dos agentes sócio-espaciais – pescadores, trabalhadores do turismo e turistas – presentes naquela paisagem. Para tanto, foi eleita uma metodologia que permitiu compreender o objeto estudado na dimensão da objetividade, mas também da subjetividade inerente às configurações que caracterizam o espaço contemporâneo. Os recursos metodológicos utilizados culminaram com a construção de mapas mentais, distintos entre si, respeitando três categorias de entrevistados – aliados a entrevistas de campo –, o que permitiu o aflorar das diferentes percepções espaciais intrínsecas desses agentes sobre o lugar, para os quais a interpretação da imagem produzida e reproduzida revelou-se
extremamente rica do ponto de vista metodológico. É nosso ponto de vista que, a partir da construção da imagem é que a paisagem passa a ter visibilidade, e esta é, por sua vez, carregada de significados atribuídos segundo diversas lógicas, interesses e intencionalidades. Ousamos iniciar o presente ensaio com as palavras contundentes do professor Milton Santos, que nos acompanharam ao longo dessa pesquisa e nos instigaram na busca de explicações, para aquilo que, aparentemente, insistia em se mostrar apenas como mais um fenômeno conseqüente do processo de globalização: os impactos diversos observados a partir da atividade turística em um dado local. Ocorreu, porém, a despeito do apenas acima referido, que o objeto desta análise se revelaria
muito mais complexo e, de fato, instigador para a pesquisa proposta. Os impactos, empiricamente observados e motivos maiores da nossa preocupação, desvelavam-se como implicações para além da ordem objetiva da apropriação do espaço – fato que nos levou à busca de métodos de abordagens e de investigação que pudessem contemplar os objetivos intencionais para o desvendamento dos processos provocados pela atividade turística no povoado de Morro de São Paulo–BA a partir da
década de 1990, sob uma ótica que inclui a esfera subjetiva. Partindo do pressuposto de que a paisagem contém o potencial comunicativo (LEITE, 2001)
– enquanto ponto de partida para a análise – de revelar diferentes racionalidades inerentes às diversas lógicas existentes num determinado recorte têmporo-espacial, buscamos analisar e compreender as diferentes imagens, produzidas a partir do estudo da percepção espacial dos agentes locais, através da eleição de três categorias distintas: os pescadores, os trabalhadores do turismo e os turistas. Os recursos metodológicos utilizados permitiram a construção de mapas mentais distintos entre si, aflorando as diferentes percepções espaciais intrínsecas destes agentes sobre o lugar – para os quais a interpretação da imagem produzida e reproduzida revelou-se extremamente rica do ponto de vista metodológico –, pois acreditamos que é a partir da construção da imagem que a paisagem passa a ter a visibilidade carregada de significados atribuídos segundo diversos interesses e intencionalidades. Foi através das imagens contextualizadas com a análise dos discursos coletados e, também, através do convívio no local durante o trabalho de campo, que pudemos atingir o objetivo principal pretendido nesta etapa da pesquisa.
