Tipos, personagens literárias e a genealogia do Nordeste

Formou-se no Brasil o par Sul/Nordeste como identidades opostas: riqueza e desenvolvimento para o primeiro, pobreza e atraso para o segundo. Como se criou esta imagem? Como foi gestada ao longo de décadas tal identidade? Ela não nasceu com o Brasil. Nietzsche recusa a idéia de “verdade essencial”, “da origem perfeita” da verdade. O que existe é a “proliferação de erros, o longo cozimento da história”. Mostrarei como foi se formando essa identidade, que discursos deram forma a essa imagem que se fixou. Que “erros” teriam levado à construção da identidade do nordeste? A paisagem árida forneceu os temas e principais imagens para a produção literária no nordeste, a mais marcante, mais produtiva e mais persistente na literatura regionalista. Utilizarei, nessa comunicação, a noção de estereótipo conceituada por Homi K. Bhabha para explicar a formação do personagem tipo “revelador” da nossa nordestinidade. Os personagens com identidades fixas se tornaram símbolos de uma “realidade” criada pelo discurso literário; personagens típicas, mas que extrapolam, pela força das imagens, a realidade literária. O estudo contemporâneo da Literatura comporta uma abordagem através dos vários discursos que trazem marcas identitárias da sociedade nordestina, verificáveis na música, cultura popular, mídias, etc. entrelaçados e veiculados pela literatura moderna, justificando, portanto, discutir as formas como as imagens se formaram e se fixaram, tanto na Literatura, como no imaginário da nação brasileira.

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