Corporeidade negra e o ensino da Educação Física no Brasil
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Universidade Católica do Salvador
Este artigo trata da corporeidade negra no ensino da educação física. Desde o seu surgimento no Brasil, início do século XIX, a Educação Física esteve comprometida com o poder dominante, inicialmente com a finalidade de higienização dos corpos. Aplicada nas escolas, adotava métodos ginásticos europeus de sistematização de ensino disciplinar, mecânico e com critérios rígidos oriundos das ciências biológicas. Tendo início no Brasil através de processos seletistas, classificatórios, discriminatórios e excludentes, a Educação Física Escolar desconsiderou durante muito tempo a idéia de corpo como revelador de atitudes e comportamentos pessoais e expressivos de especificidades culturais. Neste sentido, partimos da premissa que a Educação Física, enquanto prática pedagógica nas escolas,
serviu aos interesses de três instituições políticas e ideológicas: a medicina, a militar e a esportiva, cujas ideologias estiveram diretamente ligadas à discriminação do corpo negro, pela eugenia, pelo controle e pelo estereótipo. Portanto, para analisar qual o papel do ensino da Educação Física na construção de uma identificação corporal dos estudantes adolescentes negros, buscamos saber o que pensam esses sujeitos e como determinadas marcas históricas se fazem presentes na auto-afirmação corporal desses adolescentes. A base teórica desta investigação se sustenta numa interpretação dos estudos foucaultianos. Tais estudos reconhecem que há um poder sobre o corpo que se manifesta através da disciplina e do controle. Diante disso e da forma como a Educação Física vem sendo conduzida na
escola – como disciplinarização do corpo –, podemos pensar que ela não contempla a corporeidade negra.
