Entre o Mpam-Pam e o cajueiro: as implicações da produção de caju para o cultivo de arroz Mpam-Pam como modo de vida dos Bijagós na Ilha Sogá

Esta dissertação analisa as transformações agrárias ocorridas na Ilha Sogá, no Arquipélago dos Bijagós (Guiné-Bissau), entre 1980 e 2024, com foco na substituição do cultivo tradicional de arroz mpam-pam pelo plantio de cajueiros voltados para a exportação. A pesquisa parte da hipótese de que esse processo reflete uma territorialização do capital agrícola, que reorganiza o espaço produtivo de forma parcial e excludente, impactando diretamente os modos de vida, saberes e práticas tradicionais da população local. Metodologicamente, adotou-se a abordagem qualitativa e interdisciplinar, fundamentada na análise diagnóstica de sistema agrários (DSA), permitindo compreender as interações entre os fatores sociais, políticas e econômicos que moldaram a transição produtiva. O estudo evidencia que, embora o arroz seja essencial para manter a vida e para identidade cultural dos Bijagós, a pressão do mercado internacional e as políticas de liberalização econômica levaram ao predomínio da cajucultura, provocando a dependência externa e fragilidade das práticas comunitárias. Os resultados apontam que a produção de caju, apesar de gerar renda e inserção no mercado global, intensificou desigualdades sociais e reduziu a autonomia agrícola das famílias em Sogá. A pesquisa conclui que a territorialização do capital na Ilha Sogá não apenas transformou a economia local, mas também reconfigurou as relações sociais e culturais, colocando em risco a continuidade dos saberes tradicionais ligados ao cultivo do arroz mpam-pm.

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