A referência pessoal e negativa do demonstrativo isso no português brasileiro
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Universidade Católica do Salvador
O conjunto dos pronomes demonstrativos no português brasileiro apresenta itens com morfemas associados à expressão de gênero gramatical: (este, esse, aquele – masculino; esta, essa, aquela – feminino) e itens sem tais morfemas (isto, isso e aquilo) considerados, por alguns gramáticos, remanescentes do neutro latino (cf. CÂMARA JÚNIOR, 1979; ALMEIDA, 1998; LEGDWAY, 2012), cujo papel seria retomar elementos com traço [-humano] e retomadas sentenciais. Entretanto, ocorrências como (i) “Quem é esse assassino? Ou melhor, o que é isso? Porque isso não é gente!” contrariam tal postulação. O isso, em contextos como em (i) relaciona-se a referentes com traços [+humano], mediante um traço neutro de gênero, o que possibilita a referência pessoal com o efeito de valor negativo. Essa leitura negativa parece ser o resultado de uma interface sintático-discursiva, pois tal efeito se restringe a (a) contextos pragmáticos específicos e (b) contextos em que se pode substituir um pronome pessoal. Consequentemente, isso reflete um comportamento sintático diferente dos outros demonstrativos e pode substituir o núcleo de um determinante (DP) inteiro, com uma retomada eventiva em vez de puramente nominal. Aqui, busca-se discutir como isso com leitura pessoal de efeito com valor negativo é licenciado, como no exemplo em (i), e quais os contextos de produção desse fenômeno e as formas possíveis, através de uma tipologia de traços, de analisa-los
