Política social e familismo: tendências ao reforço da desigualdade de gênero
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Universidade Católica do Salvador
O presente artigo busca estabelecer, através de revisão integrativa de literatura científica, uma discussão acerca da relação entre política social brasileira, família e familismo numa perspectiva de gênero. A família, no modelo de proteção social brasileiro, é o pilar central na tríade composta também pelo Estado e o mercado. Este modelo é predominantemente familista e não atende às demandas geradas pelas mudanças demográficas nem pelas familiares. Além disso, o modelo unitário de família, no qual uma única pessoa toma as decisões, adotado pelos programas de transferência de renda, desconsidera as relações assimétricas de gênero e gerações. Os efeitos da reorganização dos papéis de gênero na família e no trabalho apontam para uma divisão sexual do trabalho na qual as mulheres, mesmo assumindo espaços no mercado de trabalho, continuam responsabilizadas prioritariamente pelos cuidados e pelos serviços domésticos não remunerados. Neste cenário, a sobrecarga e sobreposição das funções de prover e cuidar podem gerar impactos na estrutura e dinâmica familiares contribuindo para o aumento das vulnerabilidades, sobretudo, nas famílias mais pobres. É mister a viabilização e implementação de políticas de conciliação entre família e trabalho, que tencionem o incremento de medidas e políticas que desonerem a vida laboral e as responsabilidades familiares- enfrentadas, especialmente, pelas mulheres- quando da participação no mercado de trabalho. Assim, as relações familiares poderão ser fortalecidas e as famílias, menos sobrecarregadas, poderão integrar os indivíduos e oferecer laços e vínculos
