Identidade de bairro e manifestações culturais em áreas de urbanização popular de Salvador: estudo de caso no bairro do curuzu

O presente trabalho busca o entendimento do significado do “bairro” na cidade contemporânea, sob o ponto de vista de quem vivencia o espaço. Com base nos estudos da Geografia Humanística, compreende-se que o espaço pode ser estudado a partir das idéias de um povo, na corrente da experiência. Através da percepção, da vivência e da experiência dos moradores, baseando-se num olhar fenomenológico, analisa-se o bairro como espaço vivido e sentido, cada morador incorporando, a sua maneira, os elementos presentes em “seu” bairro. Foram realizadas entrevistas gravadas e solicitada a confecção de mapas mentais pelos moradores do bairro do Curuzu, em Salvador, observando-se quais os elementos mais desenhados, tratando-os como marcos referenciais que determinam a imagem do bairro; os moradores também identificaram no mapa do Curuzu seus limites e pontos referenciais. Trabalhou-se com uma amostra qualitativa de 21 entrevistados, sendo 11 homens e 10 mulheres, com idades de 15 a mais de 80 anos. Os resultados apontam para semelhanças evidentes, quanto aos limites e aos elementos marcantes, indicando um “bairro” consolidado na percepção e na experiência de seus habitantes. No Curuzu, são notáveis os aspectos culturais que demonstram sua forte ligação com as tradições afro-brasileiras. As manifestações culturais “emergentes”, relacionadas com a atuação de terreiros de candomblé e do bloco Ilê Aiyê, tornam-se, gradativamente, hegemônicas no bairro. Elas só podem ser consideradas “emergentes” vistas no contexto da cidade, como afirmação da cultura negra numa metrópole desigual e segregacionista

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