A sociologia da ciência e o discurso epistemológico de Pierre Bourdieu

O objeto deste artigo é a articulação que Bourdieu constrói entre as reflexões epistemológicas, que definem a ciência a partir da concepção de ciência, em vias de se fazer, e a análise sociológica, que apresenta a ciência como prática sócio-histórica. Tem como objetivos apontar algumas das “tensões” conseqüentes da historicização, à qual a ciência é submetida, operada pela análise sociológica de Pierre Bourdieu, e desvelar as “soluções” que este apresenta, a partir da noção de duplas verdades, para não ser confundido com as perspectivas relativistas que, de acordo com seu discurso, reduzem a ciência à história. O discurso desse pensador revela as especificidades de uma prática social que tem racionalidade própria, sendo, ao mesmo tempo, produto e produtora de sua história. Bourdieu admite que a ciência é, necessariamente, condicionada sócio-historicamente, mas, por essa história, é também capaz de desenvolver instrumentos para controlar os erros e os mecanismos que os engendram. Desse modo, a análise sociológica, porque também submetida à reflexividade, constitui-se em um desses instrumentos fundamentais para conferir o rigor científico aos produtos de uma prática social, pois detém as condições propriamente científicas para manter o controle possível dos obstáculos epistemológicos relativos às condições sociais de produção imanentes à ciência. De acordo com os pressupostos acima explicitados, as reflexões centram-se na importância da sociologia da ciência para o rigor científico, e como suas análises podem redefinir a construção de objetos nas diversas disciplinas, participando, assim, da polêmica da razão epistemológica

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