Os hábitos alimentares das marisqueiras e catadores de caranguejo de Porto de Sauípe: resistência aos novos padrões alimentares
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Universidade Católica do Salvador
Este artigo tem como objetivo descrever os hábitos alimentares criados no cotidiano das marisqueiras e catadores de caranguejo de Porto de Sauípe, Litoral Norte do Estado da Bahia. Visou, além disso, compreender a natureza das relações existentes entre as mudanças ocorridas nas práticas alimentares dos sujeitos da pesquisa e a construção da Linha Verde. Desse modo, o enfoque etnográfico foi tomado como abordagem metodológica para a pesquisa, tendo como técnica de coleta de dados a observação sistemática nas unidades domésticas, supermercados e nos manguezais, além de entrevistas, registros de conversas informais e no diário de campo. A análise dos dados forneceu elementos, tais como: antes da construção da Linha Verde, os alimentos básicos consumidos eram peixes, siris, caranguejos, e farinha. Os hábitos alimentares são marcados por uma tradição da cultura afro-indígenabrasileira. O estudo revelou, também, que o crescimento do turismo e as mudanças na estrutura socioeconômica e cultural, em Porto de Sauípe, decorrentes da construção da Linha Verde, condicionaram a introdução de novos alimentos (refrigerantes, chocolates, macarrão, biscoitos, salgadinhos etc.). Todavia, a introdução desses alimentos não excluiu, totalmente, a tradição alimentar, que ainda resiste aos novos padrões alimentares instituídos. A comida do dia-a-dia é marcada por uma estética culinária cercada de muitos arranjos, inspiração, valores sociais, culturais e simbólicos. Existe uma classificação de alimentos, operada no cotidiano dos atores sociais da pesquisa, que representa suas percepções sobre os diversos alimentos habitualmente consumidos, em geral, classificados como “forte”, “fraco” ou “carregado”, e, muitas vezes, informam hábitos e tabus alimentares.
