Luiza Mahim e as tristes reminiscências do africanismo – estatuto das tradições afro-brasileiras na Bahia (1930)

O disciplinamento, a violência e a desqualificação foram armas utilizadas pela sociedade branca, durante a primeira metade do século XX, para combater a tradição religiosa dos negros na Bahia. Os candomblés e seus tambores ecoavam pela cidade e, ao seu redor, incomodando os finos ouvidos da elite baiana – essa triste reminiscência do africanismo, associada ao analfabetismo dos negros e à ineficiência da polícia de costumes (A TARDE, 1928 apud RAMOS, 1988, 106). Dentro deste aspecto, inicia-se o estudo da construção da personagem Luiza Mahim, no romance de Pedro Calmon Malês – A Insurreição das Senzalas (CALMON, 1933), buscando compreender as características daquela personagem – de filha de santo e mulher negra, à luz do contexto histórico correspondente ao período de elaboração da obra. O livro de Calmon, mesmo em se tratando de um romance histórico debruçado sobre o século XIX, está muito de acordo com as discussões emergentes sobre o negro à época de sua publicação – 1933. Denota o paralelismo entre o discurso e as políticas elaborados pela sociedade branca em relação aos negros e as percepções do autor sobre seu próprio tempo. É sob a sua perspectiva que veremos o retrato da tradição religiosa afro-brasileira, buscando os reflexos de uma Luiza Mahim possível de ser caracterizada conforme vista pela elite baiana da década de 1930.

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