Ecologia alimentar de didelphidae (mammalia; marsupialia) em sistemas florestais no extremo sul da Bahia
Data
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Católica do Salvador
A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do mundo. O estabelecimento de monoculturas de Eucalyptus em sua área pode favorecer essa degradação, principalmente no extremo sul da Bahia. Não há ainda um consenso a respeito do efeito do Eucalyptus em ambientes naturais, apesar de alguns representantes da fauna, como os marsupiais da Família Didelphidae, serem encontrados nessas plantações. Essa pesquisa teve como intuito investigar a composição da dieta desse grupo em três fisionomias na área de Mata Atlântica do extremo sul da Bahia: Mata Primária, Mata Secundária e Eucaliptais. Em 4 campanhas de coleta, de 10 dias cada uma, foram estabelecidas 36 pitfall-traps em 3 transectos paralelos, em 12 áreas amostrais, 4 em cada fisionomia. Após realizada biometria nos exemplares coletados, seus estômagos foram retirados para análise do conteúdo estomacal e, logo após, taxidermizados. Foram amostrados 20 indivíduos de 7 espécies, sendo 18 estômagos analisados. As análises demonstraram uma variedade alimentar significativa de Ordens de Arthropoda (p=0.0002 - teste t); uma variação não significativa na dieta entre as espécies (p=0,2955 - Kruskal-Wallis) e uma diferença não significativa na utilização dos recursos alimentares entre as três fisionomias (p = 0,3555 - Kruskal-Wallis); uma sazonalidade não significativa, mas com um maior consumo de invertebrados na estação menos chuvosa (p = 0,0630 - Mann-Whitney). O eucaliptal apresentou disponibilidade de recursos semelhantes às demais fisionomias, demonstrando não ser esse aspecto que causou a diferença na estruturação da comunidade de Didelphidae, gerando a necessidade de estudos mais aprofundados, medindo outras variáveis ambientais.
