As embalagens estrangeiras da Gabriela Amadiana

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Universidade Católica do Salvador
Este trabalho faz parte da pesquisa realizada durante o curso de Doutorado em Letras e Lingüística na UFBA concluído em Julho deste ano, o qual tinha como um dos seus objetivos fazer uma leitura das ilustrações e capas das várias edições do romance Gabriela, Cravo e Canela. Na discussão proposta como tese, resolvemos observar a construção e a leitura das imagens culturais da baianidade e, por ilação, nas capas estrangeiras, os ícones que sugeririam o outro, ou melhor, o imaginário do Brasil e do seu povo para cada nação estrangeira. Como este estudo faria parte de um projeto maior, sob a responsabilidade da Professora Drª Ívia Alves, a qual orientou essa pesquisa, nosso trabalho passou a responder a questões do projeto, tais como: “Pode-se ler a ficção amadiana como uma interpretação da Bahia?”, “Os livros de Jorge Amado fazem, apenas, a leitura da Bahia?”, “Como a Bahia é lida?", “Baianos e estrangeiros a lêem da mesma maneira?”, “Os críticos de outras culturas e mesmo de outras regiões do País lêem a Bahia como uma ‘região exótica’?”, “A identidade baiana representa uma via de mão dupla (positiva e negativa) que pode estar influindo ao longo dos tempos nas análises e leituras dos críticos brasileiros e estrangeiros?”, “Os livros de Amado fazem a leitura do Brasil?”. São alguns dos questionamentos no projeto do qual este trabalho se insere e aos quais procura responder. Diante dessas indagações que norteiam o trabalho de todo um grupo que realiza o presente projeto, chegamos à definição do corpus da tese. Percebemos que a base de todo este trabalho é o livro e não podemos esquecer que este não é, apesar de tudo, uma mercadoria como as outras, dado o aspecto “nobre”, isto é, alta literatura das suas origens e em razão de sua finalidade. A partir disso, percebemos modificações gráficas em cada edição e supomos que estas modificações influenciariam no dialogismo da obra literária com o leitor e, conseqüentemente, no reconhecimento profissional de Amado. Desta forma, procuramos observar de que maneira Gabriela, Cravo e Canela – como expressão de uma cultura que faz conhecer – vem sendo mostrada ao longo do tempo pelo discurso das capas, e como aparecem as fissuras no sentido desses discursos, devido às diferentes condições de leitura. Constatamos que, em muitas edições, a única ilustração da narrativa estava nas capas dos livros e que Amado, na maioria das vezes, não tinha nenhum conhecimento sobre o layout destas, desde que ficavam a critério das editoras. Jorge Amado afirmava que o texto literário, ao passar para as outras representações – principalmente as eletrônicas –, se modificava, e ele não interferia nas novas formas de linguagem. Sobre as possíveis interferências de Amado nas várias traduções, estas não foram, ainda, estudadas, porque as cartas desse autor e dos seus correspondentes ainda não foram liberadas. Conhecendo a importância da capa como embalagem de um produto, verificamos que esta, como rotulagem da obra Gabriela, Cravo e Canela, era modificada em edições nacionais e, radicalmente, em algumas edições estrangeiras, alterando o enfoque, a depender dos interesses editoriais, contextuais e histórico-culturais. Sabendo que rótulo é qualquer informação impressa na embalagem para identificação do produto, e sendo a capa também um discurso publicitário – com o objetivo de levar o observador leitor ao consumo –, resolvemos analisar este discurso na ficção Gabriela, Cravo e Canela, para verificar como vêm funcionando essas embalagens, e que conseqüências podem acarretar para o trabalho amadiano.

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