A influência dos meios de comunicação na cultura regional
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Universidade Católica do Salvador
O objetivo deste texto é refletir os processos de transformações das culturas regionais – a ressaca no carnaval baiano e o Bonfim “Light” –, focalizando as influências dos meios de comunicação de massa. O presente texto é uma primeira versão que será aprofundada com a participação de alunos do Curso de Comunicação Social. Trata-se de uma atividade científica ligada ao Projeto Oficina de Cultura, parte da disciplina Cultura Brasileira. As idéias de cultura e identidade vindas de paradigmas do Iluminismo europeu (século XVIII), expressando a voz das elites do poder espalham-se. Daí até 1950, com os primeiros efeitos da economia
global e da televisão, surgiram muitas discussões sobre essas duas idéias. A concepção de identidade centrava-se na política patrimonialista nacional, étnica e simbólica diferenciadora. A partir de 1980, o aprofundamento dessa economia e os avanços de novas tecnologias, particularmente da Internet, produzem novos efeitos na vida humana, nas culturas e sociedades nacionais. É nesse contexto que os conceitos de culturas e identidades regionais adquirem o sentido de
pluralismo e/ou hibridismo. Os discursos sobre cultura seguem os mesmos passos da identidade. A cultura será tratada aqui como um processo, o que para o antropólogo Roberto DaMatta torna-se um “bom instrumento” para se
compreender as diferenças entre os homens e as sociedades. O foco de nosso trabalho recai sobre dois pontos da cultura do momo. O primeiro é a ressaca no carnaval baiano ressaltando-se o envolvimento de jovens foliões em diferentes tipos culturais: na culinária (acarajé, feijoada, sanduíche, crepe, churrasquinho; suco energético, “quentão”, cerveja, e refrigerantes); no descanso/ressaca (o sono registrado entre lugares: barracas, camarotes, praças, ruas e praias); nos cuidados com o corpo (esporte, academia, tatuagens, novo corte de cabelo e a liberdade
dos trajes); e nas formas de danças (passos e movimentos inventados) ao som das músicas de cantores locais, que ao final da festa carnavalesca são classificadas pela mídia. O outro ponto é a emergência da festa chamada Bonfim “Light”, que surgiu em conseqüência de um ato proibitivo divulgado pelas autoridades político-religiosas contra a presença de trios elétricos na tradicional festa popular.
Vale ressaltar que a discussão desses pontos da cultura do Momo são diferentes, ao mesmo tempo complementares em face da presença do trio elétrico. Colocados esses pontos da introdução, define-se o objeto de estudo e seu método. Ao privilegiar a análise de duas variantes – cultural e religiosa – associadas ao carnaval baiano, levanta-se um problema: até que ponto os conceitos de identidade e proibição ajudam a compreender as práticas dos jovens foliões no carnaval baiano e o significado da emergência da Festa Bonfim “Light” em relação ao tradicional cortejo da Festa do Senhor do Bonfim? Os conceitos de identidade e proibição aqui abordados se expressam de acordo com o pensamento de sociólogos e antropólogos, incluindo Homi Bhabha, Stuart Hall, Nestor Garcia Canclini, Eliana Reis, Bakhtin e Roberto DaMatta.
