Roda a saia, crioula! – mulheres negras e suas roupas numa perspectiva museológica.
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Universidade Católica do Salvador
O presente artigo apresenta uma análise museológica sobre as roupas de crioula do século
XIX. As mulheres negras podem ser compreendidas como as principais responsáveis pela preservação
das memórias afro-brasileiras, através de ações com um forte sentido coletivo como a formação de
associações secretas, irmandades e terreiros de candomblé. No período colonial, essas mulheres
destacaram-se, para além da questão religiosa, devido à forte presença feminina no universo do trabalho
nas ruas, vilas e cidades. Desse modo, é possível encontrar uma série de elementos simbólicos e
materiais que funcionam como identificadores do posicionamento das mulheres negras, como é caso dos
trajes de crioula. A constituição do traje, tido como um dos mais representativos de uma identidade afrobrasileira,
possui elementos oriundos dos universos luso-afro-islâmicos, que em terras brasileiras
reelaboraram-se de tal modo a formar uma visualidade específica num contexto histórico, social, político
e econômico, no qual o modo de vestir implicava uma marca ou uma representação material da posição
hierárquica ocupada pela pessoa dentro de uma estrutura social caracterizada pelo patriarcalismo,
sexismo e escravidão. A partir do estudo de peças de acervo museológico – saias, jóias, camisus e panosda- costa - são discutidas noções de herança cultural e memória afro-brasileira.
