Estudo das comunidades de aranhas (arachnida: araneae) em ambiente de mata atlântica - parque metropolitano de Pituaçu (Salvador – Bahia) – resultados preliminares
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Universidade Católica do Salvador
As aranhas pertencem ao filo Arthropoda, subfilo Chelicerata, classe Arachnida, ordem Araneae (Brusca & Brusca, 1990). Estes animais representam um grupo megadiverso, e habitam uma porção significativa de ambientes no planeta (PLATNICK, 1995). Foram descritas cerca de 37.972 espécies (PLATNICK, 2003); no entanto, estima-se que o número real deve variar entre 60.000 e 170.000 (PLATNICK, 1999), compreendendo uma significante porção da diversidade de
artrópodes terrestres (TOTI et al., 2000). A distribuição e a densidade populacional das aranhas em seus habitats não são acidentais, mas variam em função de vários fatores ambientais, como temperatura, umidade, vento, intensidade luminosa, estrutura da vegetação, disponibilidade de alimento, competidores e inimigos (WISE, 1993; FOELIX, 1996). A estrutura do habitat pode influenciar bastante a composição e a riqueza das comunidades de aranhas de florestas tropicais (UETZ, 1991; SANTOS, 1999). Devido à grande riqueza em espécies e à sensibilidade a diversos fatores ambientais, as aranhas formam um grupo taxonômico indicado para avaliar o estado de conservação de fragmentos florestais. Höfer & Brescovit (1997) sugerem o uso das mesmas como bioindicadores para diagnóstico de uma determinada área.
A área de estudo, o Parque Metropolitano de Pituaçu (PMP), compreendido entre as
coordenadas geográficas 12° 56´ S e 38° 24´ W, onde os pontos estudados, centro e borda, pouco se diferem no que diz respeito ao aspecto físico geral, a densidade de árvores não variou expressivamente, apresentando poucos ou nenhum troncos-caidos. A vegetação é bastante diversificada, com predominância de vegetais de hábito arbóreo e arbustivo, tendo baixa incidência de Bromeliaceas. Ambos também apresentam camada de serrapilheira pouco espessa e vegetação
local perenifolia. O Parque é uma das maiores unidades de conservação de Mata Atlântica dentro da área urbana da Região Metropolitana do Salvador, compreendendo 442 hectares de área conservada com imensa lagoa; apesar de ser um fragmento remanescente secundário de Mata Atlântica (MORAES et al., 1996), sofre diversas ações antrópicas. O impacto de perturbações naturais na estruturação biológica de comunidades é amplamente reconhecido (LEVEY, 1988). As perturbações aumentam a diversidade de espécies, promovendo a heterogeneidade de habitat, permitindo a especialização e a divisão de recursos entre as espécies e prevenindo assim a exclusão competitiva (CONNELL, 1978; DENSLOW, 1980; SOUZA, 1984; PICKET & WHITE, 1985). Segundo Odum (1988), uma área de transição entre duas ou mais comunidades diversas, como por
exemplo, entre florestas e campo, é denominada ecótone. Essas fronteiras naturais são regiões de súbita substituição de espécies ao longo do gradiente (largura da fronteira) (RICKLEFS, 1996). O Efeito de Borda (EB) é um fenômeno que ocorre no ecótone promovendo o aumento da densidade e riqueza em espécie (ODUM, 1988). No entanto, em ambientes fragmentados que sofrem intensa ação antrópica, pode ocorrer um efeito inverso ao proposto, verificando uma redução na densidade e riqueza em espécie, assim como uma alteração na estrutura e dinâmica das comunidades de plantas
(LAURENCE et al., 1998; citado por ESPIRITO-SANTO, 2002). Desta forma, o EB possivelmente está entre um dos mais evidentes e significativos fatores que atuam sobre o PMP. O objetivo deste trabalho foi o de realizar um inventário qualitativo e quantitativo das espécies e/ou morfoespécies de aranhas em um fragmento de Mata Atlântica no nordeste brasileiro, visando gerar subsídios com o intuito de diagnosticar o estado de conservação desta região e promover maior conscientização e participação efetiva da sociedade na conservação deste bioma.
