Ciência do sexo e arte erótica: a sexualidade na “vontade de saber” de Michel Foucault

Este trabalho objetiva examinar, tendo como fio condutor as análises do filósofo francês Michel Foucault, como a sociedade ocidental, a partir do século XVIII, fez do sexo um instrumento de domínio, de discurso e de poder, não pela repressão, mas pela expressão, pelo sentimento ascético de culpa – expressado pela idéia de pecado – e através de técnicas sutis de “controle disciplinar” – como a confissão, as pregações e as penitências. A idéia de uma sexualidade reprimida é acompanhada por uma proliferação de discursos destinados a perscrutar uma “verdade” sobre o sexo, a buscá-lo no inconsciente e em outros lugares escondidos – disso se encarregou a prédica religiosa e o discurso psicanalítico. Contudo, para Foucault, os dispositivos vistos como de “repressão” estão distantes e são diferentes da repressão, eles vão além dela e são indutores de prazer e geradores de poder. Então, o filósofo “abandona” a idéia de uma generalizada repressão sexual que vai do final do século XVII ao fim do século XIX, porque ao invés de uma repressão sexual o que há, de fato, é uma série de discursos e práticas que exploram o sexo, que fazem dele discurso, palavra e o buscam em “todos os lugares”.

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