Samba de roda do recôncavo baiano: que patrimônio é esse?
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Universidade Católica do Salvador
Este trabalho visa, a partir de uma perspectiva museológica, fazer uma análise do Samba de Roda do Recôncavo Baiano, que recentemente foi reconhecido como patrimônio oral e imaterial da humanidade pela UNESCO. Este trabalho faz parte de um projeto maior, o de implantação de um novo Setor no Museu Afro-Brasileiro, o Setor da Herança Cultural Afro-Brasileira. No âmbito dos museus e
da Museologia brasileira, durante décadas estudos acerca dos patrimônios culturais como o Samba de Roda não foram privilegiados, mesmo porque as políticas públicas voltadas para preservação do patrimônio brasileiro se aplicavam ao que na Museologia denomina de bens de pedra e cal, ou seja, as
edificações e monumentos dos “centro e cidades históricas”, que geralmente representavam e representam o grupo social hegemônico e dominante do país. Com a criação dos museus voltados para a temática dos patrimônios culturais africanos e afro-brasileiros, a exemplo do Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia, começou-se a desenvolver estudos que abordassem questões relativas a
esses patrimônios. Considera-se que o título de patrimônio oral e imaterial da humanidade concedido pela UNESCO ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano, em novembro de 2005, foi de suma importância no sentido de reconhecer e legitimar uma prática cultural de grupos sociais que historicamente estiveram à margem na sociedade brasileira, sem perder de vista que esses grupos sempre buscaram seus próprios mecanismos para preservação dessa prática, ainda que dentro de uma dinâmica sócio-cultural que os marginaliza.
