Os contos argelinos de Lima Barreto.
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Universidade Católica do Salvador
Na multifacetação de seus interesses, sob o título genérico de Contos argelinos, Lima
Barreto publicou sete contos, em 1915, relacionados ao governo de Hermes da Fonseca. A esses foram
anexados outros seis, segundo o que se informa em nota de Histórias e Sonhos (sexto volume de suas
obras organizadas por Francisco de Assis Barbosa e editadas pela primeira vez em 1956). Esses contos
apagam supostas fronteiras entre conto e crônica; na época, foram acompanhados de severas críticas ao
futebol (a maioria dos textos publicados em O Careta). Porém, como era comum ao escritor, as reflexões
não se detinham nunca em um único objeto. A fina ironia alegórica de Lima Barreto recria o Brasil como
o País de Al-Patak, o qual era governado pelo usurpador Abu-Al-Dhudut, referência a Hermes da
Fonseca. Aventuras e desventuras de tipos secundários são narradas ao mesmo tempo que se desvelam
as maquinações dos sistemas de poder no Brasil através de alegorias. Esta força de sua escritura
atravessa tempos e espaços e reconfigura a noção de universalidade: não mais como essência imanente e
sim como valor crítico móbil e redimensionável.
