Crise socioambiental, riscos e ciências sociais

A crise socioambiental está transformando rapidamente a maneira como as ciências estruturam seu conhecimento, particularmente as chamadas Ciências Sociais que incluiu em seu escopo analítico fenômenos anteriormente vistos apenas como de competência das chamadas Ciências da Natureza. A emergência dos riscos e das incertezas gerada a partir da crise socioambiental é um elemento sui generis para a compreensão desta transformação lenta e gradual que já começa a ser sentida em todas as áreas do conhecimento científico, particularmente nas Ciências Sociais. A imprevisibilidade de ocorrências de aspectos e fenômenos socioambientais não estimados, bem como a impossibilidade de desenvolver técnicas para a compreensão desta situação, têm alterado a forma compartimentalizada de estruturação das ciências especialistas, no sentido da integração e da interdisciplinaridade. Todavia, esta interdisciplinaridade tem ocorrido com relativo sucesso na prática científica de enfrentamento dos problemas socioambientais, mas muito modestamente nos aspectos teóricos, metodológicos e epistemológicos, o que representa um desafio para a ciência como um todo. Neste sentido, as Ciências Sociais têm um importante papel na superação da forma tradicional de estruturação do conhecimento, pois desde sempre se viu envolvida com elementos subjetivos, imprecisos, valorativos e imponderáveis, acumulando aí uma vasta experiência no trato com a imprecisão e a incerteza, a qual pode ajudar o conhecimento científico como um todo encontrar um caminho mais eficaz no combate e superação da crise socioambiental que afeta a todos de maneira diferenciada e crescente.

Descrição

Citação