Mães usuárias de creche: histórias de vida e perspectivas para o futuro

O presente estudo aborda o processo de inserção social elegendo como foco mães em condição de pobreza de bairro periférico de Salvador. Visa a investigar em que circunstâncias as pessoas que vivem em situação de pobreza, especialmente as mães que têm filhos em creche, podem ultrapassar tais condições. Interessa estudar a tensão entre a elaboração de projetos de vida e de estratégias de sobrevivência. Metodologia: estudo descritivo-exploratório que utilizou estratégias combinadas de abordagens qualitativa e quantitativa. Local: instituição de educação infantil do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Participantes: 20% das mães de crianças que freqüentam uma instituição de educação infantil (Novos Alagados), totalizando 23 mães. Foi abordada ainda a diretora da instituição. Para o presente artigo serão apresentados mais detalhadamente os resultados de duas mães: uma que apresenta projeto de vida e outra de estratégia de sobrevivência. Instrumentos e técnicas de coleta de dados: roteiro de entrevista para as mães e roteiro de entrevista para a direção, ambos elaborados pelos pesquisadores. Procedimentos: revisão da literatura sobre pobreza moderna e família; elaboração de categorias de análise e de roteiros de pesquisa; submissão e aprovação do projeto em comitê de ética; realização de estudo piloto; sorteio de 20% das crianças matriculadas, sendo suas respectivas mães convidadas a participarem do estudo; convite e assinatura do termo de consentimento; realização de entrevistas semi-estruturadas e gravadas; entrevistas com direção da instituição; transcrição das entrevistas e análise quantitativo-interpretativa. Resultados parciais: as participantes tiveram uma infância com dificuldades econômicas importantes, com a figura paterna ausente. É comum a queixa de terem ficado sós ou apenas na companhia dos irmãos durante a infância, pois as mães saíam para trabalhar e por vezes não tinham com quem deixar os filhos (por exemplo, creches). A participante com estratégia de sobrevivência não encontrou muito suporte na própria mãe e também não encontrou alguém que desempenhasse o papel dela (avós, tias, madrinhas), revelando um certo ressentimento ou mesmo tristeza. Como perspectivas para o futuro, a melhora na moradia parece já ter sido alcançada devido às intervenções locais de origens governamentais e não-governamentais. Porém, almejam ter um nível de escolaridade maior visando atingir melhores condições de trabalho. Desejam que os filhos estudem e tenham uma profissão. Apoio FAPESB.

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