A flexão de caso dos pronomes pessoais no português rural afro-brasileiro

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Universidade Católica do Salvador
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do Projeto Vertentes do Português Rural do Estado da Bahia, cujo objetivo é atestar a relevância do contato entre línguas na formação do português brasileiro. Com base em um corpus constituído por amostras de fala espontânea coletadas em comunidades afro-brasileiras, e utilizando os princípios teórico-metodológicos da Sociolingüística Variacionista (Labov), desenvolvemos uma reflexão acerca da flexão de caso dos pronomes, a fim de observarmos se no dialeto afro-brasileiro há a redução da flexão casual dos pronomes pessoais como ocorre nas línguas crioulas, nas quais temos uma mesma forma pronominal para exercer as funções de sujeito e complementos verbais. Para analisar o fenômeno lingüístico, estabelecemos como variável dependente a flexão de caso do pronome da primeira pessoa do singular (ex: ele gostava muito de mim! // ele gosta muito de eu!), e algumas variáveis lingüísticas e sociais, como: a) pessoa; b) função sintática do pronome; c) tipo de oração; d) regência da preposição; e) presença de partícula enfática; f) tonicidade; g) idade; h) sexo; i) escolaridade; j) estada fora da comunidade. Os resultados demonstraram após uma segunda rodada do VARBRUL que os pronomes flexionados correspondem a 94% de realização, e o não-flexionado a 6%, ou seja, que não está ocorrendo a perda da flexão casual no dialeto afro-brasileiro, mas que há uma porcentagem de realização de pronomes não-flexionados que podemos considerar como significativa.

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