Relação entre educação superior e mundo do trabalho em tempos de reestruturação produtiva

Este artigo discute as implicações do mundo do trabalho na educação superior a partir do último quarto do século XX e primeira década do século XXI. A relação entre educação e mundo do trabalho, e mais especificamente as transformações deste a partir da reestruturação produtiva, é complexa e seu estudo atual e recente, tornando desafiadora e necessária a compreensão de tal relação a fim de se construir os caminhos da educação superior que realmente possibilitem chegar a um futuro socialmente justo. Este texto tem como objetivo compreender estas transformações ocorridas no mundo do trabalho e suas repercussões na educação superior. A reestruturação produtiva teve início a partir dos anos 70 como resposta à crise do fordismo e diz respeito às transformações estruturais no âmbito da produção e do trabalho. O modo de acumulação flexível exige uma força de trabalho flexível, polivalente, multitarefa, que acompanhe as mudanças tecnológicas cada vez mais rápidas decorrentes dos avanços científicos e tecnológicos. O que se espera hoje da educação superior está muito centrado na função econômica e nas capacidades laborais. São demandas de caráter imediatista, pragmático e individualista. Porém o conhecimento tem em sua essência um caráter inquietante e imprevisível, portanto, mesmo a formação nos moldes propostos ao aumentar o acesso de pessoas à educação terciária, ainda que tecnicista e utilitarista, pode estar formando uma geração de cidadãos que aprendam a aprender; que fazendo uso desta competência atinjam níveis emancipatórios de conhecimento humano e político.

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