Paraíso azul e recanto feliz: nomes da antítese de violência urbana em Salvador

Morar é uma necessidade inerente ao ser humano. Assim como comer e beber, abrigar-se é fundamental na vida do indivíduo, e determinante na formação e construção da identidade cidadã. A ausência ou inadequação das políticas públicas habitacionais no Brasil deixa um grande contingente da população à margem da realização da necessidade de morar. As invasões configuram-se como estratégias encontradas por populações de baixa renda para solucionar, ainda que inadequadamente, a situação de moradia. Assim, surgem as ocupações subnormais, na maioria das vezes sem condição de habitabilidade, que trazem no nome a esperança, o desejo e a perspectiva de tornar-se uma habitação digna, traduzida em acesso a equipamentos de uso coletivo, conforto, segurança e onde a casa represente o território afetivo. Paraíso Azul e Recanto Feliz, em Salvador, são exemplos de invasões que convivem com a violência cotidiana e lançam mão da estratégia de utilizar nomes que remetem ao histórico desejo de habitar dignamente.

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