Escritoras afro-brasileiras: Maria Firmina, Carolina de Jesus e Conceição Evaristo
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Universidade Católica do Salvador
O projeto Vozes femininas negras: Maria Firmina dos Reis, Carolina de Jesus e Conceição
Evaristo objetivou averiguar, por meio da apreciação das obras: Úrsula, de Firmina dos Reis, Diário
de Bitita, de Carolina de Jesus, e Becos da Memória, de Evaristo, em que medida os discursos dessas
autoras assemelham-se e diferenciam-se no que tange as questões étnico-raciais/gênero. A
leitura/análise desses textos permitiu-nos realizar um cotejo entre vozes afrodescendentes pertencentes a
momentos históricos distintos, o que naturalmente evidenciou semelhanças e diferenças. De um lado, as
autoras fazem parte de um grupo de escritoras negras que apresentam um contra-discurso em suas
produções literárias questionando/rasurando uma tradição literária que representa a
afrodescendência/afrodescendentes a partir de imagens negativas/depreciativas Por outro lado, as
escritoras retratam fases distintas da história afrodescendente: em Úrsula, os negros vivenciam a
escravidão; Diário de Bitita, delinea estratégias de escravização do século XX, tais como o cotidiano das
empregadas domésticas; Becos da Memória enfoca a reconfiguração da situação escravista por meio da
moradia-favela/senzala. Em relação à questão de gênero, as obras se diferenciam visto que Firmina
prioriza o contexto das mulheres brancas abastardas; ao passo que Carolina de Jesus e Evaristo
retratam a questão entre a população pobre e negra. Enfim, essas escritoras construíram uma leitura da
história afrodescendente que rasura a história oficial e discute a questão de gênero.
