Calaram a voz do povo: o governo brasileiro opta pelo modelo japonês excludente de tv digital

Este trabalho trata do tema da adoção do modelo de TV digital japonês pelo atual governo brasileiro. Inicialmente, parte-se do pressuposto de que na opção por determinada tecnologia estará sempre implícita uma visão política que, em última instância, passará a reger as relações sociais em uma dada sociedade, neste caso a sociedade brasileira. Em se tratando de comunicação de massa, a escolha política da tecnologia assume proporções de mais amplo espectro, uma vez que o direito à comunicação é um dos sustentáculos de uma sociedade democrática. Para construção desta reflexão, em um primeiro momento será apontado o caráter patrimonialista que sempre orientou a política de concessões de comunicação no Brasil. Defende-se que a atual escolha política excluíra a maioria da sociedade brasileira do acesso ao novo padrão, além de perpetrar o caráter oligopolista que marca o sistema de comunicações no Brasil - atualmente na mão de poucas famílias. Com a assinatura do acordo com o Japão, o Brasil perde uma oportunidade histórica de incluir um maior número de sujeitos sociais na produção e difusão de conteúdos televisivos, o que poderia amplificar a voz de sujeitos coletivos, como movimentos sociais e minorias, e favorecer a consolidação das bases democráticas do País, fragilizada pelos impérios que calam a voz nacional e que decidem os temas que devem freqüentar a agenda pública. Ademais, essa empresa equivocada despreza a tecnologia autóctone desenvolvida para a implementação de um modelo nacional, o que prescindiria do pagamento de royalties ao país nipônico, reforçando a dependência tecnológica do País, em relação aos países centrais.

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