A destruição deliberada do patrimônio cultural da humanidade nos conflitos armados: instrumento de aniquilamento da dignidade da pessoa humana a gênese da proteção jurídica do patrimônio cultural da humanidade
Data
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Católica do Salvador
As tragédias que ocorreram ao longo da história contemporânea, como a destruição da cidade de
Dubrovnik, dos Budas de Bamiyan, dos mausoléus de Tombuctu ou dos sítios arqueológicos na Síria
ou no Iraque, ilustram a dificuldade para a sociedade internacional preservar os bens culturais,
símbolos da identidade e da história dos povos. O arcabouço normativo internacional, para lutar
eficazmente contra esses atos bárbaros, precisa mudar seus paradigmas: a destruição voluntária do
patrimônio do inimigo, em tempo de conflito armado, não é simplesmente um dano colateral dos atos
de guerra; é um instrumento de aniquilamento da cultura de um povo, elemento essencial da dignidade
da pessoa humana, o que deve tornar a proteção do patrimônio da humanidade uma nova prioridade na agenda internacional. Aliás, a criação do conceito de patrimônio da humanidade, primeiro passo para sensibilizar a sociedade internacional da sua necessária proteção jurídica não foi evidente e necessitou séculos (II). Um breve panorama da fragilidade do patrimônio cultural em período bélico, ao longo da história, permitirá uma relevante contextualização do estudo sobre a proteção internacional do
patrimônio da humanidade como elemento da dignidade da pessoa humana (I).
