A manifestação do indivíduo anônimo na filmografia de Eduardo Coutinho
Data
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Catôlica do Salvador
Neste artigo, intenta-se investigar a forma como se dá a aparição e manifestação do
indivíduo anônimo na filmografia documental, concebendo-o como o sujeito pertencente às classes
sociais menos abastadas. A elucidação desse indivíduo, para o presente estudo, está amparada na
análise do discurso fílmico dos documentários Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987), Boca de
Lixo (1992) e Edifício Master (2002), dirigidos pelo cineasta Eduardo Coutinho. Particularmente através
das obras em apreciação, se faz evidente que o discurso está diretamente enredado e imbuído em tornar
manifesta a voz do sujeito marginalizado da sociedade, levando à transposição de tal indivíduo,
costumeiramente o receptor da comunicação midiática, para o próprio produtor da mensagem, ao
proporcioná-lo o poder da fala. E, partindo dessa análise, intenta-se tornar evidente constituição
diegética que se posiciona como dispositivo capaz de situar a obra documental enquanto um discurso do
(e sobre o) homem periférico, destoante das recorrentes estratégias de espetacularização utilizadas pela
grande mídia.
