No lixo, a literatura: dos resíduos aos escritos de Carolina Maria de Jesus em Quarto de Despejo

Na rotina árdua de uma catadora de lixo da favela do Canindé na cidade de São Paulo, Carolina Maria de Jesus encontra na literatura o acalento para relatar as dores de uma mulher negra, pobre, mãe solteira e torturada pelos problemas sociais. Semianalfabeta, Carolina constrói através de resíduos coletados diariamente recursos para a construção do Quarto de Despejo. A escritora dialoga com problemáticas sociais e narra o dia a dia de quem vive à margem social, invisíveis, por assim dizer. Em uma década onde determinadas questões não eram discutidas ou nem pensadas, Carolina já aproveitava os resíduos coletados do lixo para otimização da matéria e transformava em grandes produções, que se somaram a mais de vinte cadernos, o que culminou no livro Quarto de Despejo, publicado em 1960 A partir dessa perspectiva, o presente trabalho busca analisar como a narrativa de Carolina Maria de Jesus representa a dura realidade de moradores que vivem do lixo da cidade e o ressignifica, utilizando para tanto de uma metodologia multidisciplinar que possibilita perceber o quanto a narrativa literária amplia as imagens para os cenários distópicos dos grandes centros urbanos.

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