Retorno ao trabalho após traumatismos craniencefálicos por acidentes e violências na região metropolitana de Salvador

Os traumatismos craniencefálicos (TCE) são considerados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um importante problema de saúde pública em função da morbimortalidade elevada e das inúmeras seqüelas físicas, somáticas, cognitivas e emocionais que podem acarretar. Em função delas o retorno às atividades produtivas podem ser significativamente comprometidas. Assim, desejou-se estimar o retorno ao trabalho após TCE por acidentes e violências na Região Metropolitana de Salvador, Bahia. Realizou-se um estudo de coorte prospectiva com homens, na faixa etária de 15 a 65 anos, com diagnóstico de TCE confirmado pela neuroimagem e que foram internados. O período de acompanhamento foi de seis meses e as entrevistas neste período foram realizadas nos próprios domicílios. Dos 122 assistidos, 96 desenvolviam atividades profissionais prévias ao trauma. Destes, 54 (56,2%) reassumiram seus afazeres. A etiologia do trauma, se por acidente ou violência, influenciou significativamente neste processo (p-valor=0,03).O tipo de atividade produtiva desenvolvida antes do trauma também atuou de forma significante no retorno ao trabalho. Observou-se que aqueles que necessitavam usar força física nas suas ocupações tiveram maior dificuldade para este retorno (pvalor= 0,05). Os resultados sugerem que as vítimas de traumatismos craniencefálicos por violências evoluem com comprometimentos mais significativos quando comparados com aqueles que foram vitimados por acidentes e que os que desenvolviam atividades ocupacionais em que a força física era preponderante tiveram maior dificuldade para assumir trabalhos com as mesmas demandas. Vale ressaltar que o primeiro bimestre pós-trauma é considerado como o período de maior progresso no processo de reabilitação neurológica.

Descrição

Citação